Cartas de Amor Digital
Tinderella: O Amor nos Tempos do Digital
T3. E8. Erotismo em Tempo de Swipes
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T3. E8. Erotismo em Tempo de Swipes

Num tempo em que temos mais matches do que química, é caso para perguntar o que raio fizemos ao erotismo?

Onde fica o erotismo no meio dos swipes? Estaremos mais próximos do prazer ou apenas mais distraídos dele? Neste episódio do Tinderella: O Amor nos Tempos do Digital, mergulhamos numa das dimensões mais íntimas e mais transformadas pelo online dating: o desejo.

Os números mostram que o corpo entrou mais cedo em cena. Entre 2022 e 2023, 52% das pessoas entre os 20 e os 39 anos conheceram o parceiro através de apps, e 38% tiveram sexo no primeiro encontro (Choosi Swipe Right Modern Dating Report, 2023), uma percentagem muito acima dos encontros offline. Em França, mais de metade dos casais que se conhecem online iniciam relações sexuais antes de um mês (Bergström, 2022). O tempo do desejo acelerou. Mas será que aprofundou… ou apenas encurtou o caminho?

Falamos do chamado online dating effect: relações que começam mais rápido, mais intensas, mas também mais instáveis. Ainda assim, as apps abriram portas a novas formas de explorar o erotismo, especialmente para quem sempre esteve fora dos espaços tradicionais. Mas, no meio de nudes, emojis sugestivos e validação constante, perguntamos: o corpo está mais presente… ou mais ausente?

O nosso convidado, Rui Simas, ajuda-nos a revisitar os primórdios do online dating — do mIRC ao teletexto — e explora connosco como o desejo se adaptou ao digital. Entre Instagram, LinkedIn e Tinder, percebemos que tudo pode ser um espaço de encontro desde que haja intenção! Mas também refletimos sobre a pressão de “ir à caça”, as estratégias artificiais, os jogos emocionais e a forma como transformámos o dating num verdadeiro campo de minas e armadilhas. Num mundo onde vemos mais corpos do que nunca, na maior parte das vezes antes sequer de os tocar, será que estamos a perder o mistério? E quando a imagem substitui a experiência, o que acontece ao desejo? Falamos de comparação, de expectativas irreais, da influência da Inteligência Artificial e da dificuldade crescente em habitar o corpo real. Discutimos ainda consentimento no digital, dick pics, sexo falocêntrico, propostas diretas e a linha ténue entre desejo e saturação. Será isto liberdade… ou simplificação? Estaremos mais focados em sermos desejados do que em desejar?

No fim, fica a pergunta: num mundo que desliza tudo, incluindo o desejo, ainda sabemos demorar? Porque talvez o erotismo não esteja no match… mas no espaço entre a espera e o toque do outro.

Este podcast foi produzido com o apoio da Rádio Metropolitana do Porto, consultoria técnica de Rita Sepúlveda, a edição é de Ana Azevedo, o design e logótipo de Joana Lírio e voz de Pedro Cadavez.

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